ENTREVISTA EXCLUSIVA

Aristizábal: "A Libertadores é difícil, mas o Nacional sabe como jogá-la e pode fazer história"

Quando os números e fatos falam mais que as palavras fica difícil não cair em obviedades para apresentar uma pessoa que fez 348 gols em sua carreira, que ganhou o respeito do torcedor sul-americano e que responde a perguntas com a mesma qualidade e humildade com que entrava em campo. Victor Hugo Aristizábal é um ídolo do futebol continental, sua alma carrega as cores do Atlético Nacional, clube pelo qual jogou a final da Libertadores em 1995. Nesta entrevista ao Pasión Libertadores, ele fala sobre suas memórias, o amor pelo seu time, a importância da família e muito mais.  

PASIÓN: Você acompanha o Atlético Nacional nos jogos e treinos. Como está a equipe?
ARISTIZÁBAL: Sim, eu acompanho o time de perto e considero que o Nacional conta com uma grande equipe para lutar pela Libertadores. Graças ao modelo que adotou no futebol, conquistou essa confiança tão necessária pra enfrentar esse tipo de competição.

PASIÓN: Você jogou a Libertadores, chegou à final de 1995. Em que nível está o torneio?
ARISTIZÁBAL: O nível baixou um pouco em relação às edições anteriores. Se falarmos de 15 a 20 nos atrás, a principal diferença é que todos os clubes contavam com jogadores de seleção e, hoje, os melhores atletas vão rapidamente para a Europa, perdendo assim a oportunidade de jogar em seu auge a Libertadores.

PASIÓN: Quais as qualidades do Nacional para ser campeão da Libertadores?
ARISTIZÁBAL: Algo muito importante que esse time tem é a aceitação do modelo, do esquema e estratégia que o técnico propõe. Conquistar essa confiança dos jogadores, que respeitam o estilo, independente do resultado, é a base dos grandes triunfos da equipe.

PASIÓN: Qual foi a importância para o clube e para a Colômbia de chegar à final da Libertadores de 1995?
ARISTIZÁBALApesar de não termos vencido foi importante ter chegado à final, pois me lembro que a equipe tinha perdido a credibilidade. Ganhamos essa confiança que nos serviu de motivação e assim voltamos a colocar o clube e a Colômbia nos primeiros patamares internacionais.

PASIÓN: Como eram essas elogiadas equipes do Nacional de 1992 e 1995?
ARISTIZÁBALEu acho que o time de 1992 era muito forte na questão de jogadores. Havia muita hierarquia, tinha Faustino Asprilla, John Trellez, entre outros, e apesar de não termos chegado à final, foi muito bom fazer parte daquele elenco. Talvez, a diferença em 1995 era de que havia um pouco mais de união. Não quer dizer que não nos dávamos bem em 1992, é que a força do grupo de 1995 foi  decisiva para chegar à final.

PASIÓN: Na edição de 1992, você fez um golaço de bicicleta inesquecível no jogo contra o América de Cali (ver vídeo min.: 2'09''). Foi o mais bonito da sua carreira?
ARISTIZÁBAL: Sem dúvida, foi um dos gols mais bonitos e relembrados da minha carreira, e graças a isso, superamos o América e, apesar de hoje parecer inacreditável, ganhei uma TV, coisa que na época eu não tinha e foi um presente impressionante.

PASIÓN: Você foi companheiro de vários jogadores reconhecidos, com quem mais gostou de dividir o ataque?
ARISTIZÁBAL: Com meu irmão e amigo Faustino Asprilla. Sempre penso nele quando tenho que pensar com quem mais gostei de jogar, pois nos entendiamos muito dentro e fora do campo. Foi realmente meu melhor companheiro jogando no Atlético Nacional.

PASIÓN: Qual o gol que você mais comemorou como torcedor e jogador do Atlético Nacional?
ARISTIZÁBAL: Como torcedor comemorei muito o gol e o gols de pênalti da final de 1989, quando vencemos o Olimpia, e o clube e a Colômbia conquistaram sua primeira Libertadores. Como jogador… diria que o número 300 que fiz, já que era uma marca que ninguém tinha alcançado no meu país e para mim foi inesquecível.

PASIÓN: Além de bater recordes, você conquistou o carinho do torcedor colombiano e isso não é comum na América do Sul e no mundo…
ARISTIZÁBALRealmente! Uma das coisas que sempre falo e mais gosto, é ser reconhecido pelo torcedor colombiano. O respeito que eles têm por mim na rua ou onde quer que vá é a coisa mais gratificante que futebol me deixou, além das conquistas, é claro.

PASIÓN: Qual jogo você gostaria de jogar novamente e por quê?
ARISTIZÁBALO de ida na final da Libertadores, em 1995, que não joguei na ocasião (foi expulso nas semifinais contra o River), mas é a partida que sempre lembrarei por não ter podido jogar. Era uma final e não podia ajudar a minha equipe. Sem dúvida, se pudesse voltar no tempo, pediria para jogar essa final.

PASIÓN: Qual o “segredo” do seu sucesso pessoal e de grupo no futebol?
ARISTIZÁBALCheguei onde cheguei graças a minha mãe que me acompanhou muito desde o início. Eu acredito que quando a família é a maior motivação, tudo é possível ou, pelo menos no meu caso, foi decisivo poder me casar, ter filhos e por isso digo que eles foram o principal motor para os meus sucessos.

PASIÓN: A Copa está chegando, a Colômbia volta depois 16 anos e você jogou em 1994 e 1998. Como está a seleção de Pekerman?
ARISTIZÁBAL: Temos uma equipe muito respeitável, que adquiriu um estilo de jogo que anima. Contudo, devo dizer que há equipes mais fortes que a nossa, como Espanha, Brasil, Alemanha, Itália... que dificilmente superaremos se chegarmos à final. Ficar entre os 8 primeiros já seria mais do que aceitável para os colombianos, embora eu queira tanto quanto todos ser campeão. 

A grandeza que aparenta sem ostentar faz de Víctor Hugo Aristizábal uma pessoa muito querida pelos torcedores. Afinal, como não admirar e respeitar um jogador que fez 348 gols, que foi campeão e artilheiro da América com sua seleção em 2001, que é um ídolo que jogou duas Copas do Mundo? "Aristigol", um ex-jogador desses que honraram a Libertadores e que esse torneio sempre sentirá falta.

Agradecimentos a Ramón Pinilla, chefe de imprensa do Atlético Nacional.

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