CHEGANDO A DE 2014

As três finais mais dramáticas da Libertadores

Parece injusto que apenas três das 54 finais sejam destacadas? Possivelmente, mas o conceito desta análise vai além de cores, países e torcidas, justificando, portanto, o porquê de os confrontos entre River e Peñarol, em 1966; Independente e Colo Colo, em 1973; e Peñarol e América de Cali, em 1987, levarem uma distinção à parte.

Todas as partidas válidas por uma final por si só já estão constituídas por uma série de fatores, como drama, paixão, honra, entre outros; que ressaltam, fortalecem e diferenciam essa etapa decisiva das demais.

Mas, desta vez, destacaremos apenas três finais da Libertadores, que brilharam pelo nível superior de espetáculo e magnificência em todos os sentidos.
 

1966: Peñarol x River: "Aquele chute que Carrizo matou no peito nos tirou do sério"

undefined Bola rolando na primeira final de 1966 em Montevidéu, em que Peñarol venceu por 2 a 0 do River.


"Foi a melhor final de todas" 

Confessa Néstor Gonçalves, ex-capitão e ídolo do Peñarol, que conquistou a terceira Libertadores depois de subjugar o River, que lutava para fortalecer sua grandeza vencendo um torneio continental.

Em Montevidéu, Julio Abbadie e Juan Joya marcaram o 2 a 0 da ida. A volta no estádio Monumental foi de 3 a 2 para o River, com gols de Ermindo Onega (2) e Juan Carlos Sarnari; Pedro Rocha e Alberto Spencer descontaram para o Peñarol.

Desempate: Foi disputado em 20 de maio de 1966, no Chile. No final do primeiro tempo, os argentinos venciam por 2 a 0 (Onega e Solari), dando um show  diante de um Peñarol atordoado e sem reação até que... a provocação do histórico Amadeo Carrizo acabou virando a fonte de coragem e orgulho esportivo que os carboneros precisavam para virar o resultado.

undefined A equipe do Peñarol venceu a Libertadores de 1966, talvez a conquista mais comemorada de todas do time aurinegro, junto com a de 1987.


"Aquele chute de Spencer que Carrizo matou no peito nos tirou um pouco do sério e saímos gritando para o Alberto: ‘vamos, Alberto, continue chutando que não foi nada’". Em seguida veio o desconto (65'), o gol contra de Matosas (71') e a prorrogação.

"Nas finais não se permite o nervosismo, nem a tremedeira, nem o rosto pálido. Você se dá conta logo de quem não quer nada. Felizmente, naquele Peñarol dos anos 1960 isso nunca aconteceu", relembra o “Tito”Gonçalves.

Na prorrogação, o River se mostrou inseguro, hesitante e irritado diante de um Peñarol imenso que saiu para jogar com o peito mais que inflado, após a façanha dos 90 minutos. O cerco dos uruguaios foi premiado aos 111’, quando Spencer teve mais uma revanche contra o goleiro que havia "zombado" dele. Pedro Rocha a um minuto do final marcou o 4 a 2, fazendo a nação peñarolense explodir de felicidade.

 

1973 – Independiente x Colo Colo: "A final mais difícil das sete ganhadas"

Foram sete as Libertadores que o Independiente venceu, mas poderiam muito bem ser seis. É que as finais da edição de 1973 não foram normais do ponto de vista do futebol. O equilíbrio, os oito jogadores da seleção chilena que vestiam a do "cacique", e a condição de campeão em que o Independiente chegava, tornava impossível apontar um favorito.

A ida foi disputada em Avellaneda, empate 1 a 1. Mario Mendoza abriu para os vermelhos aos 30’ , mas Francisco Sá marcou um contra aos 69'. A revanche no Chile foi feroz e muito disputada, terminando em empate 0 a 0, que levaria ao confronto decisivo e histórico pelo alto grau de sofrimento.

undefined Independiente de 1973. Uma equipe difícil e calejada diante de um Colo Colo de estrelas, liderada por Carlos Caszely.


Desempate: Foi disputado em 6 de junho de 1973 no estádio Centenario, em Montevidéu. No pré-jogo, houve uma cerimônia emocionada de reconhecimento a Sergio Martínez Catalán, cavaleiro chileno e herói, que encontrou os sobreviventes uruguaios do acidente de avião nos Andes.

Assim, todo o povo uruguaio simpatizou com o Colo Colo, criando um ambiente hostil para o Independiente, que teria de mostrar mais que grandeza para vencer. Mario González marcou para a equipe argentina aos 25 'e aos 39' – foi o artilheiro daquela edição –, Carlos Caszely empatou a disputa que, assim como as duas anteriores, acabaria igualada.

Já na prorrogação, Mario González foi substituído por Miguel Ángel Giachelo, que se tornou o herói da batalha de 1973. O atacante, no minuto 106, acabou com o sufoco quando pegou um rebote do goleiro Nef e deu vida a uma bola que foi uma espécie de míssil devastador para Colo Colo.

1987: Peñarol x América de Cali: "10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... GOL"

undefined Diego Aguirre, o héroe da final de 1987, é levantado depois da consagração.

 

O dia 31 de outubro de 1987 foi o pior na história do América de Cali, que seria campeão com um empate. Culpa do Peñarol, mais precisamente do atacante Diego Aguirre. O elenco colombiano, com astros do calibre de Falcioni, Willington Ortiz, Ricardo Gareca e Gabriel Ochoa Uribe como técnico, perdia sua terceira final consecutiva do torneio na decisão mais incrível da história da Libertadores.

Os dois times haviam vencido em casa e o estádio Nacional de Santiago esperava a grande final. "Essas são as coisas mágicas do futebol, quando parece que tudo está perdido, ganha-se tudo em um segundo", lembra Diego Aguirre, autor do gol da vitória.

O jogo terminava, faltavam segundos, tanto que o narrador da TV colombiana começou a contagem dos 10 segundos para o final e o "América campeão"... Mas faltando milésimos de segundos, o destino, no ato de injustiça esportiva e divina mais reclamada na história da Libertadores, privou a merecida glória do América, dando o último golpe de sorte para Diego Aguirre, que acertou um cruzado de direita que silenciou a Colômbia e fez o Uruguai explodir.

"O América era uma grande equipe. É preciso ter muito respeito pelos adversários, porque o futebol dá e tira, mas as derrotas são muito dolorosas. Os jogadores do América ficaram destroçados, muito tristes, chorando, segurando a cabeça. É muito ruim que aconteça isso contigo. Era muito ruim porque era a terceira final que perdiam e de uma maneira que ninguém imaginava", concluiu Aguirre.

A homenagem não é apenas para aqueles que comemoraram as proezas finais, mas também para todos aqueles torcedores que ficaram de lado, cheios de temperança e grandeza, reconhecendo que não existe tristeza mais gloriosa que cair com dignidade, como aconteceu com Colo Colo, América de Cali e River Plate, os antagonistas de uma história da qual nunca quiseram participar.

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