MATÍAS LAMMENS E PAIXÃO

Um presidente, uma entrevista, uma superstição…

"Estamos indo bem com suas entrevistas. Então, vamos fazer como sempre", diz o presidente do San Lorenzo entrando no estacionamento do estádio duas horas antes do início da final que consagraria o Ciclón. Matías Lammens quase não me deixou terminar cumprimentá-lo e me pediu que fizesse a entrevista para seguir o ritual, a superstição. É que durante a Libertadores de 2014, conversamos várias vezes antes dos jogos decisivos, por exemplo contra o Grêmio e o Bolivar. Vê-se que ele lembrou disso e me pediu para repetir essa rotina que, entre muitas coisas, vinha funcionando bem...

 

Em um diálogo sem gravadores no estacionamento do Nuevo Gasómetro, o presidente afirmou que foi difícil dormir na noite anterior e que, além de admirar a tranquilidade que Edgardo Bauza transmitia ao elenco, ele era o indicado para vencer o torneio. E fez outra confissão rindo: "Eu não tenho que falar isso, mas nós merecemos ser campeões por todo o trabalho que temos feito". Depois que dessa conversa off the record, eu perguntei: "Faço uma entrevista curta aqui então...", para ele logo responder: "Não! Vamos para dentro do estádio como na última vez. Venha!"

 

 

Acompanho o presidente do San Lorenzo enquanto ele espera a entrada do elenco, todos parando para cumprimentá-lo. Vinte minutos depois, nós dois entramos no campo. Já acomodados, começamos com a entrevista de Paixão Libertadores à Matthias Lammens, poucas horas antes de obter o título:

 

PAIXÃO: Você falou agora há pouco que não conseguiu dormir …

Lammens: Sim. Foi muito difícil dormir. É uma situação histórica para o San Lorenzo e, na verdade, é complicado controlar a ansiedade. É uma circunstância que deixou todos nós alterados, por isso esperamos que termine o mais rápido possível e bem.

 

PAIXÃO: Edgardo Bauza parece ser o técnico indicado para liquidar esta dívida do San Lorenzo

Lammens: Totalmente. O que ele transmitiu ao elenco, dirigentes e torcedores é a tranquilidade que ele tem, e conseguiu tirar da mentalidade das pessoas do San Lorenzo que a Libertadores é um calvário.

 

PAIXÃO: Depois do empate do Nacional no último minuto na final de ida, Bauza foi quem esteve melhor e motivou os jogadores?

Lammes: Foi um resultado que a princípio todos aceitariam. Por isso, acho muito importante o que o técnico possa transmitir e como a mensagem chega aos jogadores, e Bauza sabe o que faz.

PAIXÃO: Deu para notar que nesta semana você estava mais nervoso que treinador...

Lammens: É sempre assim. Nós, os dirigentes, vivemos com muita intensidade, nos doamos muito. O dia a dia no clube é muito difícil. Deixamos de lado muitas coisas porque amamos este clube, esta camisa. Hoje é um dia histórico para todos, para as nossas famílias... e é impossível não pensar naqueles que não estão. Então, para nós, é um momento muito especial.

Com a emoção na medida certa para a situação, Lammens falou que a jornada final era uma situação histórica e especial, caso se tornassem campeões. Com o triunfo alcançado, antes de os campeões da Libertadores receberem a taça na noite mais importante da história do San Lorenzo, seu presidente, ao me ver, grita: "Funcionou! Viu, a superstição funcionou!". A contribuição do PAIXÃO Libertadores deu resultado, assim como tantas outras superstições nas quais Lammens deve ter se aferrado na jornada do Ciclón. San Lorenzo, um clube de fé. O clube do Papa Francisco. O clube que sempre acreditou na Libertadores. O clube santo.

Santo presidente. Santa comemoração. Santa superstição...

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